A prática da meditação embalada por trilhas sonoras de games - Game Lover | Coins & Sagas

A prática da meditação embalada por trilhas sonoras de games

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O inconfundível som metálico e sintético dos games entre as gerações 8 bit a 32 bit deixou de ser uma obrigação já na era dos jogos em 64 bits, um pouco antes da virada do século.

Tudo o que vem dessa época passou a ser escolha estética, e não mais uma limitação tecnológica. A trilha sonora dos games de então passou a aceitar som de instrumentos reais, o que esteve fora do alcance das desenvolvedoras durante décadas.

A abertura para essa nova possibilidade fez com que as trilhas sonoras para jogos se tornassem cada vez mais grandiosas, acompanhando o progresso dos próprios games que passaram a ser superproduções, especialmente os oferecidos por empresas já consolidadas no mercado.

Bem, e onde a meditação entra nessa história toda? De forma direta, em lugar nenhum. Muito pelo contrário.

A partir da virada do milênio houve uma popularização de técnicas de meditação e relaxamento, que saíram do reduto new age e conquistaram cada vez mais pessoas comuns, interessadas em melhorar a qualidade de vida mas não tão ligadas assim em alinhamento dos chakras com o universo e coisas do tipo.

A meditação moderna pretende, inclusive, tirar as pessoas do ambiente eletrônico em que estão imersas. Quem medita com um fone de ouvido ligado a um celular, não raramente, é convidado a desligar o wi-fi, o pacote de dados e até mesmo a desabilitar o chip para não receber ligações.

Enquanto a meditação caía no gosto comum, jogos grandiosos com trilhas incríveis eram e seguem sendo produzidos. O uso de orquestras aos moldes de Hollywood se tornou coisa banal entre as gigantes.

The Legend of Zelda: muito da trilha sonora da série combina com relaxamento e meditação.
Como já seria de se esperar, quem viu esse potencial nas trilhas sonoras fomos nós, os meros consumidores. Enquanto as redes sociais criavam o ambiente propício, os usuários iam trocando ideia, postando compilações de músicas e criando uma nova cultura.

Hoje, já há uma certa lista de franquias campeãs em trilhas sonoras "meditáveis". The Elder Scrolls, especialmente o quinto jogo da série, Skyrim, é fonte de uma excelente compilação de músicas para ambientação usadas facilmente para meditação e relaxamento. 




A Nintendo tem vários títulos que também servem como fonte: a série Xenoblade Chronics; os jogos da série The Legend of Zelda dos últimos 15 anos; os jogos de Kirby, ricos em sons de flauta como Zelda, mas indo para uma pegada mais infantil; a série Animal Crossing e os mais recentes RPGs de Pokémon e, certamente, algum ficou de fora.


E, como não poderia deixar de ser, deixamos uma menção para lá de honrosa à trilha sonora de Super Mário Galaxy. A série teve dois títulos que ainda hoje estão entre os melhores do Wii. A trilha sonora, e isso incluía as músicas atualmente usadas para relaxamento, têm uma abordagem muito interessante à temática espacial. Há um uso muito competente de sintetizadores que resulta em sons agradáveis e aconchegantes.


Ok, mas e a música especializada?

A música para relaxamento e meditação tem seus lugares comuns e desafios. Títulos com uma flauta, um violão e barulho de água caindo não faltam no mercado. 

Talvez os autores desse tipo de melodia não tenham se dado conta que as pessoas gostam de música com personalidade. Essa é a palavra chave para entender o fenômeno das músicas de game usadas em meditação.

Quem acompanha o mercado de músicas new age certamente já percebeu que houve sim um movimento de amadurecimento. A experimentação deu origem a coisas controversas como os sons isocrônicos e binaurais, além de categorias difíceis de se definir, como é o caso das frequências Solfeggio.

A música para relaxamento não pode simplesmente ser "calminha". Ela tem que conversar com os estímulos cerebrais e com a memória do ouvinte — coisa que uma música tranquila num ambiente de RPG consegue fazer com muita competência.

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