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Nintendo e os jogos de ação para toda a família

'Family fun': um valor importante para a Nintendo.

Você já deve ter visto "Nintendo" e "para toda a família" na mesma frase incontáveis vezes, não é mesmo? E não é à toa. Há muito tempo (praticamente desde sempre) a Big N tem se dedicado a criar títulos e franquias que, ao serem jogados na sala, não trarão constrangimento nem à criança pequena nem à vovó que estiverem presentes.

Do outro lado da moeda, um mercado de jogos de luta, ação, tiroteios e sangue, vem se impondo desde a década de 1990. Nesse mercado, atualmente, tudo é permitido — desde que se respeite a classificação etária que nem sempre existiu entre os games. O primeiro limiar da polêmica entre os jogos mais pesados foi cruzado por Mortal Kombat, que colocou sangue e mortes violentas em seu enredo, causando polêmicas a partir de 1992.

No final daquela década, outro limiar foi cruzado. Dessa vez por Grand Theft Auto, o popular GTA, que premiava roubos de carros e atropelamentos cometidos pelo jogador, dentre outras barbaridades.

Consoles da Nintendo sempre aceitaram jogos de ação e luta, ainda que com ressalvas por algum tempo. O clássico Contra, lançado para NES em 1987, hoje seria visto como um título inofensivo. O já citado Mortal Kombat teve problemas com os pais e a própria Nintendo justamente por causa do sangue e atualmente não é mais presença garantida nos consoles da Big N.

A postura da Nintendo foi notadamente diferente em 2009, quando a Sega lançou, com exclusividade para o Wii, o sanguinolento Mad World, que incluía requintes de crueldade como mortes por empalamento, serra elétrica e arremesso em hélice. Tudo maximizado por um esquema de cores bem peculiar: preto e branco, com o sangue bem vermelho jorrando na tela.

O que se via em MadWorld não tinha nome ou precedentes.

É claro que permitir que um título rode em seu console é bem diferente de produzir um jogo. E a Nintendo nunca quis produzir jogos realmente violentos. Pode-se abrir alguma discussão envolvendo as séries Metroid ou The Legend of Zelda, mas a violência ali encontrada, convenhamos, é leve.

De qualquer forma, nada muda o fato de que jogos de tiro em primeira pessoa fazem sucesso, não é mesmo? Foi provavelmente pensando nisso que a Nintendo decidiu lançar, para Wii U, em 2015, seu próprio Counter Strike, que atendia pelo nome de Splatoon

Splatoon: um grande paintball virtual, mas não apenas isso.

Saíram os terroristas, entraram as crianças que se transformam em polvo. Saíram os rifles, entraram as tintas. E assim se conseguiu criar um sucesso de tiro em primeira pessoa sem que sequer uma gota de sangue escorresse pela tela.

O resto da história de Splatoon vocês já sabem: novo título no Switch, personagens no Mario Kart 8, Amiibos e daí por diante.

Também no Switch, a outra cartada da Nintendo nesse sentido vem do super colorido Arms. Um jogo de luta, como Mortal Kombat ou Street Fighter. Mas com um apelo mais "iogurte".


Ação sim, mas com seu método. 

É claro que uma relação entre Arms e o jogo de boxe oferecido no Wii Sports também é válida — e bastante recorrente. Mas no Wii Sports o jogador usava o seu Mii, e o Mii não tem poderes especiais. 

Em algum momento, alguém da Nintendo deve ter percebido que as pessoas gostam de escolher personagens poderosos e traçar estratégias a partir de suas habilidades — para algumas pessoas, inclusive, isso é mais divertido que ter um bonequinho que é a sua cara.

Arms: nunca um jogo de luta teve cores tão marcantes.

Wii Sports, de fato, era bastante inofensivo.

Impróprio para menores de 12 anos, Arms não tem o mesmo caráter abrangente de um jogo de Kirby, por exemplo. Mas com essas novas investidas — e, talvez, outras ainda em produção — a Nintendo pode evitar a sangria de crianças que jogavam Wii e poderiam se sentir encorajadas a mudar para algum console da concorrência (lembre-se: pessoas comuns têm geralmente apenas um console) enquanto crescem e ainda amenizar a parte desagradável da fama de infantil da empresa, sem que, para isso, passe a praticar valores que pareceriam estranhos ao público, especialmente na fatia de pais e mães que confiam na solidez desses valores.

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