Header Ads

'Snake Pass', o "jogo da cobrinha 2.0", é herdeiro de um legado que ninguém ainda havia reivindicado

Vamos contar um pouco da história que culmina nessa cobrinha sorridente.
Desde que foi lançado pela Gremlin Industries em 1976, o jogo Blockade foi copiado e aprimorado dezenas de vezes por incontáveis produtores. Originalmente desenhado para ser um desafio entre dois jogadores que deveriam bloquear-se entre si — daí o nome — o jogo já ganharia seus primeiros clones ainda na década de 1970.

No jogo da cobrinha original duas cobrinhas lutavam entre si. Sem trocadilhos.
A associação praticamente instantânea com uma cobra, mesmo passando batido pelos produtores do jogo original, tem sido usada e abusada nas últimas quatro décadas, especialmente após uma mudança importante na dinâmica original: saiu o duelo entre jogadores que se bloqueiam, entrou o desafio de fazer a cobrinha crescer — sem trocadilhos — através de bolinhas, quadradinhos ou o que quer que fosse, e a ideia se tornou, assim, acessível a jogadores únicos.

O primeiro jogo a ir por esse caminho atendia pelo nome de Worm (não confundir com o moderno Worms), e foi publicado em 1978 para o microcomputador TRS-80.

Worm já destruía produtividades bem antes de Paciência e 3D Pinball Space Cadet.
A partir disso, versões de "Snake", ou "jogo da cobrinha" como costuma ser conhecido no Brasil, ganharam o mundo e o imaginário popular. Jogos assim foram os primeiros a aparecer em modelos de celular — quando jogos em celulares ainda eram algo muito inusitado.

Muitas foram as cores e os panos de fundo, mas o objetivo do jogo sempre foi o mesmo: comer objetos na tela que fariam a cobra crescer — mais uma vez, sem trocadilhos. Versões com paredes sólidas, versões com mundo infinito, versões com frutinhas de bônus... muitos eram os temperos, mas o prato pouco variava.

Nibbles, lançado para o MS-DOS nos primórdios dos computadores pessoais.

O clássico "Jogo da Cobrinha" que vinha em modelos simples da Nokia.
Nos últimos anos e em vários lugares diferentes (em sites avulsos, em celulares, entre os jogos menos badalados das lojas de aplicativos) alguns produtores tentaram dar novo frescor à ideia de controlar uma cobrinha.

Muitos foram bem-sucedidos à sua maneira. E alguns, inclusive, devem ter feito uma boa grana com isso, especialmente os que produziram o Snake III. Mas os jogos dessa leva ainda apresentavam duas características decisivamente limitadoras: ou eram disponibilizados gratuitamente para quem não tinha dinheiro — ou tinham mas não costumam gastar com jogos —, ou estavam escondidos em submundos da internet.

Snake Game 3D, disponível em sites de APK sem autoria definida.
AxySnake, desenvolvido pela AxySoft.

Snake III, da Softonic, esteve no celular de muita gente.
Slither.io junta a cobrinha à jogabilidade do indie inusitado Agar.io
Por fim, chegamos a Snake Pass. Lançado no último dia 28 de março para Playstation
 4, XBox One e Switch, além de plataformas como a Steam e Windows 10, o jogo é herdeiro moral e mais sofisticado desse legado que vem sido construído ao longo de quatro décadas.

Com cenários em 3D trabalhados minunciosamente, personagem principal cativante — apesar de ser uma cobra, vocês sabem né... — e desafios que conseguem ser bem-arquitetados sem perder a essência original, Snake Pass já chegou muito bem aceito pela crítica.





Riqueza de detalhes e desafios é ponto forte de Snake Pass.

Não é exagero afirmar que Snake Pass ocupa um vácuo que ninguém havia se disposto a preencher. Outros títulos antigos, como Tetris ou o Pac-Man, conseguiram se sobressair às cópias e hoje continuam ganhando novas versões dentro de linhas do tempo administrada pelas empresas originais ou por herdeiros diretos.

A Sumo Digital, responsável por Snake Pass, foi fundada em 2003 e não tem nenhum vínculo aparente com a Gremlin Industries, falida na década de 1990. Em seu currículo estão títulos de peso de franquias como OutRun, Big Little Planet e Sonic.

O resgate que Snake Pass desempenha, logo, não é de nenhuma glória do passado, e sim de uma memória afetiva que alcança indivíduos de várias idades.

O jogo, por ser um primor, não é disponibilizado de graça — pelo contrário, custa R$ 37 na Steam e chega a custa R$ 74,95 na loja do Windows 10. Mas é uma viagem que vale a pena.


Com informações e imagens de Archive.org, site oficial de Playstation, Wikipedia e Divulgação.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.