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O que Splatoon tem de De Blob?

Conquistar territórios com tinta. Muita tinta.

Essa é a missão de Splatoon, um dos maiores sucessos do Wii U, que ganhará uma sequência em breve no Nintendo Switch. Essa também era a missão de De Blob, jogo de relativo sucesso do Wii, mas que acabou não indo bem em sua continuação.
Splatoon (Wii U, 2015): jogadores em combate por território.
De Blob (Wii, 2008): recolorindo cenários.



De acordo com dados do VG Chartz, o primeiro De Blob, lançado em 2008, vendeu 960 mil cópias no Wii, onde era vendido em mídia física. O jogo também era disponível para download em Nintendo DS e smartphones.

Apostando na continuidade do sucesso, os produtores (THQ, Blue Tongue, Halfbrick Studios) decidiram que De Blob 2 seria multiplataforma. Mas o resultado foi bem aquém do esperado: De Blob 2 vendeu 180 mil cópias no Wii, 150 mil no XBOX 360 e 210 mil para PS3. Ou seja, a soma de venda em todos os consoles não dava as vendas conquistadas pelo jogo anterior apenas com o Wii.

Diante desses números, nenhum novo título da série De Blob foi produzido nos últimos seis anos, o que leva a crer que decidiram descontinuá-la.

De Blob foi originalmente desenvolvido por oito estudantes noruegueses e era para ser disponibilizado gratuitamente em Windows. O projeto só se tornou algo maior depois desses estudantes venderem os direitos à THQ. Em outras palavras, a ideia inicial era fazer um jogo educativo — o que foi preservado até certo ponto: para se fazer tinta laranja, por exemplo, era necessário que o jogador misturasse vermelho e amarelo.

De Blob como concebido por estudantes noruegueses em 2006.
De Blob alguns anos depois, repaginado para Wii.
A missão de De Blob

O jogador tinha uma tarefa nobre: colorir a cidade tomada por vilões monocromáticos que a deixaram cinza. Não vamos nos misturar com certos debates políticos atuais: ali até as pessoas, as árvores, as pontes de madeira e até as montanhas rochosas eram sem cor, graças à ação de vilões totalitários.

A tinta de Blob ("gota", em bom português) tinha efeito libertador para os habitantes do lugar e até mesmo para os soldados inimigos. E as missões eram concluídas quando todo um determinado setor da cidade recuperava sua cor.

Havia modos cooperativos em que dois jogadores saíam na mesma missão que era a de colorir a cidade e lutar contra soldados e robôs quando fosse preciso. E também havia modos de batalha (cor X contra cor Y, tal como em Splatoon só que menos empolgante).

Modo batalha (2 player split)

De Blob em região pantanosa.

É bem provável que o segundo título da série, lançado em 2011, tenha fracassado por ser muito parecido com o primeiro. Não é demérito que uma sequência pareça com o jogo que iniciou a franquia, mas no caso de De Blob 2, praticamente não havia nada de novo. Não é porque havia dado certo em Super Mario Galaxy 2 que daria certo com todo mundo, não é?




Vamos falar de Splatoon?

Splatoon vendeu 4,6 milhões de unidades e é o quarto jogo mais vendido para Wii U. Ao contrário de De Blob, foi desenvolvida por uma subsidiária da própria Nintendo — você nunca o verá em XBOX ou Playstation. E a semelhança com De Blob, numa primeira análise, acaba nas tintas — alguns cenários suspensos no ar também têm certa semelhança, mas não são nada que cause escândalo a quem vê.

O vilão cinzento totalitário não está ali, mas no modo campanha é preciso, mais do que pintar a cidade, conquistar território com sua tinta. O cenário, aliás, não é tão cinzento nem tão colorido. Parece esperar por tinta que o cubra — assim como num paintball, a tinta em Splatoon tem tons bem chamativos.



Splatoon: Muito mais bagunça e lutas mais dinâmicas.

Por falar em paintball, Splatoon se usou das tintas para um objetivo bastante ambicioso: reinventar o tiro em terceira pessoa, torná-lo acessível a todas idades (sua classificação nos EUA é 7 anos de idade) e trazer os adultos para a brincadeira. O resultado foi a conquista de um nível de diversão que nunca seria conquistado por De Blob, a não ser que fizesse mudanças significativas.

Splatoon também é mais rico que De Blob no quesito power-ups. Enquanto no jogo para Wii U jogadores podem se transformar numa espécie de polvo, esmagar inimigos com rolos de tinta gigantes e lançar bombas de tinta, por exemplo, De Blob não podia fazer nada parecido.

De Blob, aliás, explorava do efeito visual da explosão de tintas de forma muito mais contida que o que se pode ver em Splatoon.

Por fim, a identificação do jogador com crianças habilidosas e prontas para o combate é muito mais fácil que com um ser amorfo parecido com um grande pingo, por mais simpático que esse ser seja.

Splatoon 2

A continuação de Splatoon tem boas variáveis a seu favor, apesar de visualmente também não ser muito diferente de seu antecessor.

Em primeiro lugar, a Nintendo aproveitou o sucesso dos personagens para encaixá-los em Mario Kart 8 Deluxe, que será lançado antes de Splatoon 2 (leia mais sobre o assunto aqui).

Em segundo lugar, as avaliações boas que Splatoon já teve se completam com as boas expectativas do Nintendo Switch. E os Amiibos dos personagens fecham a questão comercial com chave de ouro.


Não há dúvidas que o formato pode saturar se não houver atualizações e novidades de tempos em tempos. A zona de conforto pode ter sido o fator decisivo para a descontinuidade de De Blob. Mas para a turma com selo Nintendo, ainda há muitas cores no horizonte.

A comparação

O paralelo entre Splatoon e De Blob não é algo novo. Em 2015, quando Splatoon ainda não havia mostrado a que veio, o canal AnimatedJames postou um vídeo em que Blob e os inklings se encontravam. Pelo menos ali, Blob levou a melhor.


Com imagens de IGN e divulgação.

De Blob em breve na Steam (Atualização em 06/03/2017)

O primeiro jogo da série, lançado em 2008 (o que vendeu quase um milhão de cópias só no Wii), chegará à Steam em abril. Dessa vez, com modo de jogo para até 4 jogadores em tela dividida. Aparentemente, é apenas para deleite de velhos fãs e conquista de novos, sem a intenção de revigorar a franquia.

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